sábado, 22 de agosto de 2009

Muti, eu sou minha própria mulher

Eu sei que já fazem alguns bons dias desde que está peça foi encenada aqui na cidade. Mas fui adiando este post (ficou aqui num caderninho) e acho que não faz a menor diferença.
Quem é daqui e assistiu, assistiu. Quem não assistiu, dificilmente assistirá.
Então... bom, o texto fica como um incentivo pra pesquisar sobre a interessantíssima vida de Charlotte Von Mahlsdorf ou Lothar Berfelde.

Muti, eu sou minha própria mulher - Edwin Luisi
Ótimo. Transformações de um personagem a outro ali, bem em frente aos nossos olhos. Mais de 20 personagens. Todos tão bem escondidos dentro do ator, apenas esperando a hora de saltar para fora. E todos tão diferentes. Era possível perceber a diferença de um para outro, mesmo que saíssem do mesmo corpo (ou se apossassem do mesmo corpo, quem sabe?). Era possível ver a diferença no rosto, nos modos.
No começo, uma sensação de mornidão (não sei se da peça ou da minha irritação com o atraso de mais de 15 minutos. E não foi culpa do ator, mas daqueles que saem as 20h de casa para uma peça que inicia as 20h).
Tragicomédia. Você ri. Mas quase chora. Quando para (pára - reforma ortográfica) pra pensar na situação do personagem, não há como não comover-se. A piada na superfície. A vida na profundidade.
Uma história real, mas surreal. Eu me pergunto: como foi que Charlotte sobreviveu?
Ficou curioso para saber da história? Eu conto, porque dificilmente haverá outra oportunidade de você assistir a esta peça. Perdeu.
Charlotte é um travesti que sobreviveu a 2ª Guerra e à Alemanha Oriental. Você acha pouco? Lebre-se: ela era um travesti.
O texto conta a vida de Charlotte, ou melhor, a vida que Charlotte registrou em depoimentos a Doug Wright. E ele, felizmente transformou-os num roteiro. E mais felizmente ainda, Edwin Luisi, com direção de Herson Capri e Susana Garcia.

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